quarta-feira, novembro 25, 2009

Patrik, Idade 1,5

De: Ella Lemhagen. 2008.
Com: Gustaf Skarsgård, Torkel Petersson, Thomas Ljungman, Annika Hallin, Amanda Davin e Jacob Ericksson.
Crítica: Filme sueco que foi exibido recentemente na mostra de SP, sobre um "casal" de homossexuais que resolve adotar uma criança, mas no lugar acaba recendo um garoto de 15 anos: Patrik (Thomas Ljungman). Eles são casados, trabalham, e recém chegaram para morar num bairro onde os vizinhos não lhe veem com bons olhos.

Temos aqui mais um exemplar que trata um tema tão difícil e complicado (devido ao preconceito ainda existente na sociedade), abrindo arestas para outra dicussão, no caso, a adoção que é a primeira vez que vejo um filme tratar disso, através de uma união gay, onde o resultado aqui foi de grande valia! O roteiro bem escrito com muita maturidade, seriedade e respeito é o grande trunfo do longa, os atores também estão de parabéns.

Impressionante a empatia que se cria com um dos homossexuais, no caso, o que aceita o garoto de 15 anos por uns dias até o problema ser resolvido, Göran (Gustaf Skarsgård) que aos poucos se mostra ser uma excelente pessoa, é o mais sensível e maduro do "casal", eu que não tenho nenhum tipo de preconceito, não teria problema nenhum de ter amizade com uma pessoa como ele, já o outro, Sven (Torkel Petersson) tem uma personalidade diferente, apesar de também ser uma boa pessoa, é insensível, teve um casamento heterossexual e foi alcoólatra no passado, que rejeita o garoto (órfao) por se tratar de um delinquente juvenil, que não para em nenhuma instituição e bastante homofóbico, o que é pior ainda, fatores que podem causar algum risco ao casal.

A maneira com que o filme se desenrola a partir daí flui com bastante naturalidade, tudo bem dentro do seu tempo, situações acontecem na maneira exata como devem ser, não há nada no filme que tenha ficado fora do lugar, o roteiro sem dúvida é um dos pontos altos do longa que vale a pena mencionar novamente, o desfecho final fecha bem o filme com chave de ouro, a diretora consegue passar aquilo que queria, mas claro que não irei contar o que aconteceu, outra coisa que o filme levanta, de maneira bem nada a vê, mas proposital, bem sacada e util, é o fato de mostrar que não é por que o cara é homossexual que precisa ser pedófilo como alguns personagens dão a entender em determinadas situações perante o casal gay, a ignorância das pessoas é tanta que acaba gerando coisas descabíbeis, o pré-julgamento é uma coisa complicada que algumas pessoas fazem sem nenhum fundamento.
Ah, o filme pega leve nas cenas de pegação e sentimentos aflorados de amor entre os homens, coisa natural numa relação quando duas pessoas se amam, independente da opção sexual, portanto, para os preconceituosos que forem assistir (que se sentem ofendidos e incomodados em ver tais cenas) fique tranquilo que o foque principal do filme é na adoção do que qualquer outra coisa. Ressalto também a direção competente e segura da diretora Ella Lemhagen, que conseguiu passar na medida certa toda sensibilidade e delicateza que a história pedia, é notável um olhar feminino por trás das câmeras, sendo que só depois de assistir o filme é que fui descobrir que a direção era de uma mulher.
Enfim, um filme despretensioso e delicado que dá o seu recado, um soco no estômago contra o preconceito, que não deveria existir contra nenhum tipo de seguimento, opção sexual, racial, entre outros, que coloca lado a lado dois opostos rejeitados pela sociedade - o jovem criminoso e órfão e os pais homossexuais - para que ambos possam se resolver em suas diferenças.
Recomendável para quem tem mente aberta e livre de preconceitos, que garanto que irá se surpreender com essa bonita história. Um grande trabalho do atual cinema sueco que já nos premiou esse ano com o também ótimo "Deixe Ela Entrar".
Nota 8.5!
Visto em Novembro/2009

14 comentários:

Marcia Freddy. disse...

Olá Diego! Como você está? - Primeiramente gostaria de agradecer ao seus comentários e dizer o quanto fico feliz pela sua visita.

E que bom que você retornou!
Sua crítica é excepcional!

Esse tipo de assuntos você só encontra em filmes europeus. O que particularmente acho isso um máximo, pois, a sutileza e respeito que os mesmos tratam é impressionante! - Sem dúvida uma lição!

Otima recomendação!

Faço o convite para você participar da pequena, porém, importante promoção de aniversário no blog. Se você for o vencedor será uma honra ter a sua crítica em meu blog.

Fica ao seu críterio! - Parabêns, pelo blog e principalmente por você abordar o cinema asiático que é tão pouco conhecido.

Suas críticas sobre os meus me chamou muito atenção. - Inclusive (assim que possível) irei assistir alguns deles!

Que bom que existem blogs como o seu!

Beijos!
Boa quarta-feira!

Gema disse...

Diego ;)
Vai ao meu blog: http://nomundodagema.blogspot.com/
que tem la miminhos para ti :P
Bjs

Júnia L. disse...

Tem um selinho Francês que tambem deixei para vc e que vc nao tem que repassar pra ninguem. Um selinho francês http://vintageeblog.blogspot.com/2009/11/selinho-frances.html

depois olha la tá

Kamila disse...

Já tinha lido sobre esse filme antes e achei a premissa muito legal. Espero poder conferir o longa em breve.

Wally disse...

E o CINE DEWONNY continu a introduzir desconhecidos e interessantes filmes... to anotando tudo.

it was RED - Para quem gosta de cinema disse...

Parace ser um excelente filme! Deixaste-me com vontade de assistí-lo! Abraço!

Júnia L. disse...

Diego,

Vi uma postagem que é a sua cara

vou deixar o link para você conferir

bjao

e bom final de semana

http://eanavevai.blogspot.com/2009/11/maldicao-da-flor-dourada.html

Fred Burle disse...

Gosto muito do cinema sueco. Deixe Ela Entrar e Tillsamans são excelentes.
Tem um outro filme com a mesma abordagem deste, Diego. Chama-se Baby Love (2005) e não é difícil encontrar em locadoras, no Brasil.
É muito bom.
Quero assistir esse Patrick 1,5. Se estrear um dia no Brasil, né...

LuEs disse...

Hnm... não sei. Não achei que esse possa ser um bom filme, mesmo que sua resenha tendo apontado para esse lado. Não o poria como prioridade na minha lista e eu o veria somente se não houvesse alguma outra coisa pra ver.
Não simpatizei com essas imagens.

Por que sumiu?! Ficou tanto tempo longe.

Gustavo disse...

Novidade total para mim, esse filme.

Mayara Bastos disse...

Diego, muito obrigada pela dica. Nunca ouvi falar deste filme, mas despertou-me interesse imediato. Parece ótimo mesmo!

Beijos! ;)

Gema disse...

Olá Diego ;)
Tens um selinho no meu blog dos filmes para ti :P
Bjs

Thiago disse...

Oi, tudo bem? Parabéns pelo texto e esse filme para ser muito diferente mesmo, intenso, ousado. Quando tiver uma opotunidade vou conferir. Abr

Dewonny disse...

Oi Marcia, td jóia, seja muito bem-vinda, és muito simpática, e já to participando lá do teu post, escolhi o filme n°11, q nem sei qual é, ñ entendi direito as regras da promoção..rsrs..valeu pelo comentário, adorei, e pelos elogios, bjo!

Vlw Gema, já repassei alguns hj. bjo.

Jú, já peguei td direitinho, em breve repassarei os selos, ah já vi o filme q vc indicou, filmaço, gostei muito, bjo.

Kamila, Wally, It Was Red, Gustavo e Mayara, vale a pena conferir, recomeno a todos.

Fred Burle, esse filme só passou na mostra de cinema em SP no mês passado, e nunca vi falar nesse q vc disse, dica anotada.

Luis, ando sem tempo de atualizar o blog, fim de ano é fogo.

Thiago, td blz, vlw kra, espero q consiga ver esse filme um dia.

Abs! Diego!